Dados recentes divulgados pela HubSpot mostram que o ritmo de crescimento do Twitter decresceu bastante ao redor do mundo, coisa que o último relatório do Ibope/Nielsen também demonstrou estar ocorrendo também no Brasil (redução do número de usuários entre o meio do ano e o final). No entanto, o trabalho da HubSpot mostrou que, apesar da redução do número de usuários, os que se mantém na ferramenta estariam mais engajados (usando mais a ferramenta). Outro estudo realizado pela Semantic Hacker também divulgado há alguns dias, trouxe outros dados interessantes sobre o uso da ferramenta. De acordo com ele, a segunda língua mais usada no Twitter hoje é o Português, o que leva a conjectura dos analistas de que o Twitter seja bastante popular no Brasil, mais do que no restante da América Latina. Na verdade, de acordo com o relatório do Ibope/Nielsen, o Twitter é o segundo site de rede social mais visitado do Brasil, atingindo 8,8 milhões de visitas em novembro de 2009 (apesar do decréscimo em relação ao meio do ano).
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Twitter como Rede de Influenciadores
Ou seja, pelos dados divulgados podemos observar que, apesar do Twitter estar reduzindo o ritmo de crescimento, ele ainda é uma ferramenta bastante popular (em termos de Internet) no Brasil. Mas o que me parece mais importante salientar é que, apesar dos pesares, o Twitter parece ter um papel fundamental na convergência entre as mídias mais “tradicionais” e a Internet. Todos sabemos que o Twitter tem sido usado por aqui por veículos de comunicação como jornais e revistas para amplificar o alcance de suas matérias, bem como, por jornalistas e trabalhadores de mídia, para angariar informações que possam virar pautas e medir a audiência relativa daquilo que divulgam.
No início do ano passado, eu e a Gabriela Zago conduzimos um estudo onde observamos que um dos principais usos do Twitter, na época, já era a busca e a reverberação de informações, mais do que a conversação. Recentemente, outros trabalhos também apontaram essa tendência, onde a maioria dos usuários brasileiros usa a ferramenta para informação.
Toda essa apropriação, no entanto, é um reflexo de uma uma pequena esfera de influenciadores: usuários que, apesar de poucos em número, possuem uma capacidade de amplificar as informações muito maior (como é o caso dos jornalistas, por exemplo, que vão trazer para os veículos tradicionais ou online pautas que foram observadas no Twitter). Com isso, o “barulho” produzido pela ferramenta é amplificado, gerando uma percepção maior de impacto, que é desconectada do seu número de usuários.
Twitter, Convergência e Big Brother
No entanto, apesar do Twitter ser popular entre os chamados influenciadores, ele nunca foi uma ferramenta popular para o público geral da Internet brasileira. Para o usuário comum, que deseja utilizar a Rede para lazer e informação, o Twitter ainda é de difícil adoção e retenção, exige uma certa dose de paciência em angariar uma rede de informações que seja relevante e em compreender o funcionamento que nem sempre é compensatória. Assim, muitos que criam contas acabam tornando-se rapidamente inativos no sistema.
No entanto, mesmo com a redução do número de acessos, o Twitter parece ter sido levado ao mainstream da convergência midiíatica mais uma vez, através da recente adoção da ferramenta no Big Brother Brasil. A aposta da Globo foi interessante não apenas pela adoção da ferramenta como uma das formas de comunicação entre os participantes e o público, mas igualmente porque uma das participantes parece ter sido escolhida pela sua popularidade (e polêmica) no Twitter. Embora não saibamos exatamente qual será o impacto dessa convergência, o uso do Twitter no Big Brother Brasil parece ser um passo significativo nela. Enquanto a audiência do programa ultrapassa a audiência tradicional da Internet, o uso da ferramenta tende, ao menos a consolidar uma influência na mídia tradicional, enquanto forma de convergência e de amplificação do impacto das informações.
Fonte: PontoMídia